Campanha ‘Segunda sem Carne’ e livro ‘Merenda Vegetariana propõem vida mais saudável

12/05/2013 23:46

Campanha ‘Segunda sem Carne’ e livro

‘Merenda Vegetariana propõem vida mais saudável

Adital/Tatiana Félix

Fazendo parte da campanha Segunda Sem Carne (SSC), em execução desde 2009, o livro Merenda Vegetariana, produzido pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), traz mais de 100 receitas saudáveis com base em legumes e vegetais, incentivando as pessoas a descobrirem novos sabores. Apesar de o lançamento presencial ocorrer apenas em junho, em São Paulo (SP), durante a Virada Sustentável, a obra já está disponível pela web. Para saber mais sobre a campanha e as dicas que o livro traz para uma alimentação mais saudável, confira a entrevista com a jornalista Raquel Ribeiro, editora da obra e coordenadora do departamento de publicações da SVB.

Além das receitas vegetarianas, quais outras formas de conscientização sobre os malefícios do consumo de carne e benefícios dos vegetais o livro "Merenda Vegetariana” traz?

Raquel Ribeiro - Em todos os textos de apoio procuramos valorizar os vegetais; desde o cuidado no preparo (sugerindo, por exemplo, cozinhar al dente e usar temperos sem medo) até as informações sobre os alimentos. Ressaltamos a importância do consumo de folhas verdes para garantir ferro e cálcio; assim como lembramos que a dupla arroz-com-feijão proporciona nossa dose diária de proteínas. Buscamos dar um enfoque positivo ao livro, evitando falar em "malefícios da carne” – apesar de seu consumo de fato aumentar o risco de doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes e outras doenças. Preferimos chamar a atenção para o consumo excessivo de um quarteto perigoso: sal, açúcar, gordura e farinha branca, pois no uso destes as merendeiras costumam "pesar a mão”. Mesmo entre os vegetais usados nas receitas, mostramos que há diferenças em termos nutricionais. No capítulo "para abrir o apetite” dissemos que, por exemplo, que a batata não é tão nutritiva como o inhame ou a mandioca. E muitas vezes pode ser substituída por esses alimentos.

 

O livro "Merenda Vegetariana” vai servir de subsídio para expandir a campanha Segunda Sem Carne (SSC). De que forma isso vai acontecer?

Raquel Ribeiro - As cidades ou municípios que adotam a campanha SSC determinam – em princípio – que, toda segunda-feira, as refeições oferecidas pelo serviço público não devem conter ingredientes de origem animal. Se você simplesmente tira a carne do cardápio, a pessoa fica com a sensação de que vai comer menos e que essa proteína vai fazer falta. Em termos proteicos isso é um mito, pois a dieta do brasileiro contém bem mais proteína do que o organismo absorve – e esse excesso acaba virando em gordura. Para não dar a impressão de que a campanha tira algo do prato, enfatizamos o slogan "descubra novos sabores”. Ou seja, em vez da carne, pode ser servido um nugget de inhame, uma tapioca recheada de couve-flor, um estrogonofe de legumes ou um bolinho de lentilha. É ai que entra o livro de receitas. Toda secretaria ou instituição que tiver interesse em adotar a campanha e quiser servir refeições vegetarianas pode adquirir o livro.

 

O foco é somente as escolas?

Raquel Ribeiro - O principal foco, sim, já que a linguagem visual e as atividades são destinadas a esse público, mas nada impede que creches, universidades, hospitais, casas de detenção e qualquer o

utra instituição usem as receitas -- ou simplesmente pais que querem ensinar hábitos alimentares saudáveis a seus filhos. Vale lembrar que os 102 pratos levam ingredientes simples, baratos e fáceis de encontrar.

 

O hábito de comer carnes vermelhas e brancas e derivados animais está profundamente enraizado na população brasileira, que é muito ampla e diversa. Como mudar esse hábito?

Raquel Ribeiro - Hábitos vão mudando com a evolução da sociedade. Antes, o brasileiro pouco usava cinto de segurança: a adoção da multa, somada a campanhas educativas mostrando que o uso do cinto evita mortes, levaram, aos poucos, as pessoas a usá-lo. Hoje qualquer criança entra no carro e, instintivamente, coloca o cinto. Acho que, passando a informação com sabedoria, mostramos que o hábito de comer carne traz vários impactos negativos para a saúde da pessoa, para os animais e para o meio ambiente. Em termos práticos, a campanha tem sido eficaz: tem gente que se sente mais leve após um dia sem carne – e se dá conta que isso foi bom; tem gente que, após conhecer a campanha, passa a contabilizar a "pegada da carne”; ou seja, o impacto ambiental da sua produção e comercialização; e tem gente que, ao se informar sobre o sofrimento que a indústria da carne (e do leite) provoca aos animais, passa a ver o bife com outros olhos. Enfim, penso que a campanha é mais um passo no longo processo de conscientização da humanidade.

 

A adoção de uma alimentação vegetariana requer a aquisição de alimentos diferentes ou de difícil acesso e preços elevados?

Raquel Ribeiro - Em principio, não, já que o maior gasto do vegetariano costuma ser na feira. Nossa dieta inclui maior quantidade de legumes, frutas e cereais (como, aliás, preconiza o Guia Alimentar do Ministério da Saúde), que são os mesmos ingredientes que o não-vegetariano compra. Como não gastamos com a compra de carne, leite e queijos, podemos nos dar ao luxo de consumir castanhas, cogumelos, palmito, alcachofra... Agora, alguns ingredientes, como o tofu e os leites vegetais são, de fato, mais difíceis de encontrar. Por isso explicamos no livro como prepará-los em casa.

 

O lançamento do livro será na Virada Sustentável, em junho, em São Paulo. Como as pessoas poderão adquiri-lo e a partir de quando estará disponível para venda?

Raquel Ribeiro - Vamos aproveitar o gancho da Virada, mas o lançamento na web já foi feito. E as encomendas podem ser feitas pelo e-mail loja@svb.org,br.

 

Há quanto tempo existe a campanha Segunda Sem Carne e onde ela tem sido mais difundida?

Raquel Ribeiro - Em 2009, a Segunda Sem Carne foi lançada no Brasil pela Sociedade Vegetariana Brasileira, em parceria com a Secretaria do Verde e Meio Ambiente de São Paulo. Sampa foi a segunda cidade no mundo a apoiar uma campanha do tipo Um Dia Sem Carne. Desde então, outras cidades e estados aderiram, como Niterói (RJ), Curitiba (PR), Osasco (SP) e Rio de Janeiro (RJ), além do estado de São Paulo e do Distrito Federal.Em Porto Alegre, Florianópolis, Belo Horizonte, Mogi das Cruzes e outras, a negociação está em andamento.

 

Como avaliam o desenvolvimento e os avanços da campanha?

Raquel Ribeiro - Campanhas do tipo "Um Dia sem Carne” têm sua origem nos Estados Unidos, onde o movimento vegetarianismo é forte; mas a ideia somente conquistou a mídia internacional quando Ghent, cidade belga, criou a campanha Quinta sem Carne, em maio de 2009. Desde então, as escolas públicas servem almoços vegetarianos e trabalhadores municipais têm um mapa dos restaurantes vegetarianos da cidade. Dicas de receitas também foram enviadas aos mais de 1500 restaurantes da cidade e a prefeitura promove aulas de culinária ao público em geral. Esse exemplo belga nos inspira – e nos anima! – a divulgar a campanha e conquistar adeptos em todas as esferas. Estamos muito otimistas!


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