Festa pagã, a Páscoa surgiu antes de Jesus e dos judeus

28/03/2013 23:20

Festa pagã, a Páscoa surgiu

antes de Jesus e dos judeus

Muitos dos simbolos religiosos foram sincretizados com símbolos pagãos, principalmente alguns símbolos cristãos. Em função do comércio, mais sincretismos e transformação dos símbolos surgiram para alimentar o lucro e, de alguma maneira, o verdadeiro significado ficou escondido. É o caso da Páscoa. O chocolate e o ovo ainda tem explicação, mas o coelho foi uma invenção que não dá pra entender. Procuramos um texto histórico para entender ao menos o porquê do chcolate nesta época.

Fábio Marton/Guia do Estudante

Em março de 250 a.C., os romanos celebram uma festa religiosa em que o protagonista é um ser meio homem, meio deus, que nasceu de mãe virgem e ressuscita a cada ano. Presentear ovos faz parte da cerimônia. Não estamos falando da Páscoa, mas de uma das festas que a originou: a homenagem à deusa Réia e ao pastor Attis, o personagem que ressuscita.

Muito antes do Cristianismo, celebrava-se a entrada da primavera em rituais que têm muito em comum com a Páscoa dos cristãos. Praticamente, todos os povos têm sua versão da festa: entre os romanos é a festa da deusa Réia ou Cibele. Entre os egípcios, a comemoração era para Osíris – que também ressuscitava. Até mesmo o Pessach, a páscoa judaica que deu origem à cristã, surgiu dos rituais da primavera dos pastores e agricultores hebreus, com seus pães sem fermento e sacrifício de animais.

Se a Páscoa já tinha semelhanças com a festa romana, aumentam mais ainda no século 9, com a conversão dos povos germânicos ao Cristianismo. Exatamente como na Antiguidade, os símbolos das festividades pagãs acabaram incorporados à celebração cristã. É o caso do coelhinho, por exemplo: o bicho era nada menos que a representação a deusa da primavera entre povos bárbaros. Ainda hoje, Páscoa é chamada Ostern em alemão e Easter em inglês – derivações do nome da deusa Eostre. Conotações sexuais da fertilidade comemorada nos ritos pagãos também influenciaram a cerimônia cristã. Até meados do século 20, a Páscoa inglesa incluía brincadeiras eróticas, como levantar uma mulher três vezes – só para ganhar um beijinho.

Ovos como presentes no séc. 18

Os ovos de chocolate só foram inventados por confeiteiros franceses no século 18. Mas, desde a Idade Média, ovos decorados, comestíveis ou não, são presentes tradicionais nesta época do ano. No século 19, o joalheiro franco-russo Peter Carl Fabergé presenteou a corte russa com um magnífico ovo da Páscoa de platina, recheado com uma gema de ouro, contendo um pintinho de jóias e uma réplica da coroa russa. A czarina gostou tanto que o contratou como joalheiro oficial, e ele passou a preparar surpresas para a realeza todo ano. Seus ovos da Páscoa tornaram-se peças disputadas entre colecionadores de todo o mundo. Hoje, não são vendidos por menos de 3 milhões de dólares.

Santa fome!

• A Quaresma – período de 40 dias de jejum parcial que vai da quarta-feira de Cinzas até o domingo de Páscoa – tem, na verdade, 46 dias. É que os domingos não contam.

• A mania de passar fome antes da Páscoa foi invenção dos judeus: o período de abstinência seguido de um banquete é um sinal de que o Pessach se originou da comemoração da passagem das estações do ano – fome no Inverno, fartura na primavera.

• Os muçulmanos não têm Páscoa, mas têm o equivalente à Quaresma – um período de restrições. Durante os 28 dias do mês de Ramadã, os fiéis jejuam entre o amanhecer e o pôr-do-sol.

• Hoje, quando consumir uma boa cerveja, agradeça à obediência dos monges alemães do século 9 à Quaresma. Como o jejum era apenas de sólidos, eles fabricavam cerveja (chamada de “pão líquido”) para beber durante o período. Isso contribuiu muito para a evolução da bebida na Europa. Ainda hoje, tipos sofisticados do produto estão ligadosa monastérios, como a cerveja trapista.

 

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