Honduras: Conselho denuncia imposição de projetos hidrelétricos e mineiros em terras indígenas

02/05/2012 18:50

Honduras: Conselho denuncia imposição de

projetos hidrelétricos e mineiros em terras indígenas 

O povo Lenca está entre os principais afetados

pela repressão e militarização em seus territórios. 

Ecoagência

 

Reprimidos e constantemente ameaçados pelos projetos que invadem suas terras e territórios, os membros do Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras – Copinh decidiram denunciar as irregularidades que acontecem no país. Entre os principais envolvidos em colaborar com as empresas transnacionais que exploram terras de povos originários está a Secretaria de Recursos Naturais e Ambiente (Serna).
 
O povo Lenca está entre os principais afetados pela repressão e militarização em seus territórios. Também estão sofrendo com a imposição de projetos mineiros, de infraestrutura e dos chamados projetos "verdes”, vendidos como iniciativas limpas e sustentáveis. Insatisfeito com as investidas em seus territórios, lideranças do povo Lenca chegaram a denunciar a situação a instâncias públicas, mas não houve repercussão, já que existe "um aparato estatal de conluio com a corrupção e o poder”.
 
Não só a Serna está envolvida, a denúncia pública do Copinh aponta prefeitos, integrantes do Instituto de Conservação Florestal (ICF), organismos internacionais, além de fundações e setores do poder político, econômico e militar colaborando com a exploração ilegal de terras indígenas para alimentar interesses econômicos.
 
Na luta por seus direitos, os indígenas Lenca, sobretudo os líderes e dirigentes do Copinh, acabam sendo vítimas de ameaças de morte, perseguições e atentados. Magdaleno Argueta, coordenador do Conselho Indígena do Copinh foi ameaçado no dia 31 de março. José Saldivar Gámez recebeu uma ligação intimidatória orientando que ele deixasse de frequentar o Conselho Cívico, caso contrário seria morto. Os habitantes de Santo Domingo, em Colomoncagua, estão sendo pressionados a aceitar a construção de uma hidrelétrica sobre o Rio Chinacla.
 
Segundo aponta a denúncia do Copinh, o povo Lenca resiste hoje a 15 projetos hidrelétricos e extrativistas que podem acarretar na privatização de rios, águas e diversos outros bens naturais. Alguns exemplos estão em Minitas (La Paz) e Río Blanco e San Rafael (Intibucá) onde estão sendo implantadas hidrelétricas que vão favorecer os projetos ‘Desenvolvimento Energético’ e ‘Central Hidrelétrica Minitas’.
 
As comunidades do município de San Francisco de Opalaca também estão sendo ameaçadas e pressionadas a acatar a construção de pelo menos quatro represas que vão afetar este município e outros vizinhos. A população local também está sofrendo a perda dos títulos comunitários de terras.
 
Como se não bastasse a invasão de territórios e a destruição da cultura, modo de vida e biodiversidade de algumas regiões, os povos indígenas também estão vendo seu direito à comunicação ser violado. Prova disso foram as invasões na Rádio Guarajambala, Voz Lenca e Rádio La Voz Lenca, além da perseguição aos jovens que trabalham nestes veículos comunitários. Em um dos atentados a energia elétrica foi cortada e em outro a invasão terminou com equipamentos danificados.
 
Para o Copinh, a situação crítica que se desenvolveu no país é o reflexo da atuação do governo de fato que se implantou após o golpe de Estado e continua no poder empurrando o país para uma ruína total. Mesmo assim, a ordem é não desistir. "Queremos manifestar que apesar da situação difícil, a decisão de nossos companheiros e companheiras e da organização em geral é aprofundar a luta pela defesa da vida, por um mundo mais justo e humano e pela Refundação de nossa pátria sagrada e digna”, manifestaram.

 

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