O que você ensina quando deseduca?

25/05/2010 12:02
O que você ensina quando deseduca?
 
É urgente remodelar o pensamento sobre a forma de educar

Mozana Amorim *


Moro em frente a uma escola. Coisa que me agrada muito. Sempre gostei de estudar e acredito no valor do conhecimento e dos processos educativos. Por isso, me alegro e gosto de ouvir o alarido diário das crianças, de perceber os adultos se movimentando na chegada para as aulas noturnas e posso ouvir os professores daqui da minha sala. E daqui da sala me assustei ao acompanhar diariamente uma mesma voz que ensina gritando. A professora não fala, berra. Mais parece um general em sala de aula. Talvez me falte elementos suficientes para avaliar seus porquês, mas o que me incomoda mesmo é o fato de essa situação se repetir t-o-d-o-s os dias.

Por mais motivos que a “fessora” tenha para ficar brava ou queira chamar atenção da turminha, será mesmo este o único recurso? Fico tentando imaginar a classe: como pensarão os alunos dela? Com que olhos devem apreciá-la? O que pensam e sentem? Como podem compreender o que ela tenta ensinar aos berros, oferecendo esse quadro gratuito de autoritarismo e agressividade? Também me pego imaginando se os colegas de profissão não vêem, ou melhor, ouvem isso e tomam alguma atitude. Mas, parece que ainda nada mudou.

Bem sabem, melhor que eu, todos os pedagogos do mundo inteiro que as crianças (e todos fomos crianças um dia) aprendem pelo exemplo mais do que pelas palavras. Isso posto, o que esta professora, por certo até esforçada, mas de visão obtusa está ensinando aos seus alunos é a agirem do mesmo modo dentro e fora da sala de aula. E como ela existem muitos. Existem também pais agindo do mesmo modo e terceirizando a responsa para a escola. O efeito dos exemplos é poderoso. Sim, porque passa pela experiência, pelo que é vivido e mergulha na história do indivíduo de forma muito mais profunda e aí vira um paradigma.

Como não perpetuar um ciclo vicioso que só deseduca? É um sem-fim de prejuízos que enfraquece o papel do educador, o processo educativo, a figura da família e o valor da escola. E a sociedade perde de todos os lados. Tive a oportunidade de conhecer o trabalho dirigido a valores humanos* na educação e recomendaria a todos os educadores, aliás: a todas as pessoas.

É urgente remodelar o pensamento sobre a forma de educar. É preciso despertar para o fato de que a prática precisa espelhar a teoria ou estaremos brincando de faz de conta e recuperar o sentimento que edifica, porque no fundo estamos falando de seres humanos e não somos feitos somente de técnica. A metodologia de gritos e palmatória está morta, senhoras e senhores, ou deveria estar. Faz tempo que entendemos que a educação é uma trilha onde mestres inspiram em lugar de ordenar, orientam em lugar de gritar, co-criam em vez de dar a resposta pronta. Acredito na educação que compartilha mais do que ensina, que é um processo e uma via de mão dupla: aluno e mestre estão todo o tempo trocando de papel e, exatamente por isso, é válido lembrar que antes de exercerem tais papéis, são eles seres humanos que merecem e buscam respeito, compreensão e afeto.

Não acho possível estimular um indivíduo a crescer e adquirir consciência sem esses ingredientes fundamentais. * Programa Vivendo Valores na Educação. 

* Mozana Amorim é publicitária, com experiências de comunicação em empresas e no terceiro setor. Tem especialização e Gestão de Pessoas e trabalho com temas do desenvolvimento social e da comunicação.

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