Projectos mais verdes do país dão novos usos à cortiça e bagaço e reduzem desperdício de comida

24/09/2011 19:48

Projectos mais verdes do país dão novos usos

à cortiça e bagaço e reduzem desperdício de comida

Helena Geraldes

Transformar em energia os resíduos da produção de azeite, limpar derrames com cortiça e reduzir o desperdício de comida nos refeitórios são os melhores projectos ambientais do país, vencedores dos Green Project Awards 2011, anunciados esta tarde.

À primeira vista, o vencedor da categoria Investigação e Desenvolvimento não impressiona por aí além. É um granulado castanho, feito de uma mistura de pó de cortiça, altamente absorvente, e de restos da produção de azeite, isto é, bagaço húmido (mistura de águas ruças e bagaço), com excesso de carga orgânica. Mas consegue resolver dois problemas: dá uma solução para os resíduos e produz energia. 

Segundo contou ao PÚBLICO João Claro, o investigador responsável pelo Biocombus, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), o granulado depois é queimado para gerar energia. A Cooperativa Agrícola de Olivicultores de Murça será a primeira a experimentar este sistema, com um protótipo à escala industrial. “Em Março estará pronto” e “terá capacidade para receber até 20 mil toneladas de bagaço húmido por ano” disse João Claro. “A ideia é que a indústria deve imitar o sistema natural, onde tudo se transforma. O resíduo de uma empresa pode tornar-se matéria-prima de outra.” 

O vencedor da categoria Produto ou Serviço também utiliza cortiça. O CorkSorb quer usar este material para conter e limpar derrames de hidrocarbonetos, explicou Carlos de Jesus, director de comunicação da Corticeira Amorim, ao PÚBLICO. Hoje esta gama de absorventes está a ser comercializada na Alemanha, Austrália, Bélgica, Espanha, França, Grécia, Holanda, Inglaterra, Portugal e Suécia.

O CorkSorb é um granulado de cortiça que, depois de processado, é colocado em mangas que contêm e absorvem derrames. “Pode ser utilizado em marés negras, como a do Golfo do México [de Abril a Julho do ano passado], mas também na poluição em oficinas de automóveis, pequenas fábricas ou rios”, explicou. Segundo Carlos de Jesus, um quilo deste granulado de cortiça “permite absorver mais de nove litros de óleos”. Além disso, “a cortiça é hidrofóbica, é inteligente na absorção, ou seja, não absorve a água, só o óleo”. 

O prémio para a categoria Comunicação vai para a empresa Eurest Portugal, com a campanha “Consumo Consciente Respeita o Ambiente”, que começou em 2007 em cafetarias, restaurantes ou áreas de serviço de auto-estradas. O objectivo é consciencializar os consumidores para a importância de reduzir os desperdícios no dia-a-dia.

"Incentivamos os nossos consumidores a que tudo o que levam no seu tabuleiro seja consumido", afirma o director-geral da Eurest, Henrique Leite. O objectivo é evitar desperdícios, poupando-se nos alimentos. "É muito simples, é o que fazemos em nossa casa", diz Henrique Leite.

Se, no final da refeição, o tabuleiro for apresentado vazio, o consumidor recebe uma ficha que equivale a 10 gramas de alimentos não perecíveis. As fichas são depositadas em urnas e, depois, são convertidas em alimentos que são doados a instituições de solidariedade. 

Após a implementação da campanha em 40 unidades de restauração colectiva - sobretudo em empresas -, observou-se uma redução de cerca de 30% na produção de resíduos orgânicos, já tendo sido doados a instituições de solidariedade social três toneladas de alimentos. Henrique Leite diz que a Eurest quer alargar a iniciativa às cerca de mil unidades de restauração da empresa, com um total de 200 mil consumidores.

Os Green Project Awards, para distinguir projectos já concretizados que promovam o desenvolvimento sustentável, são organizados pela Agência Portuguesa do Ambiente, Quercus e pela agência de comunicação GCI. Nesta 4ª edição, foram recebidas 104 candidaturas.

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