Cresce o número de pretos e pardos no Brasil

10/05/2011 00:56

 

Cresce o número de pretos e pardos no Brasil

Por Vivian Zeni

O IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística acaba de divulgar dados históricos, que pela primeira vez a contagem revela que a população brasileira deixa de ser predominantemente branca. Segundo o Censo Demográfico 2010,  o número de pessoas que se declararam pretas e pardas subiu para 43,1% e 7,6% respectivamente. Enquanto no Censo anterior, os números eram de 38,4% e 6,2% do total da população e revelam que a população negra aumentou em quatro milhões, indo de 10.554.366 em 2000 para 14.517.961.

A população parda por sua vez aumentou para 16,9 milhões, foi de 65.318.092 para 82.277.333. A parcela de indígenas cresceu de 734.127 para 817.963, e a amarela, de 761.583 para 2.084.288. A população branca foi, a única que diminuiu. Entre 1995 e 2008, houve queda de seis pontos percentuais do número de pessoas que se declararam brancas. O que pode ter ocasionado essa mudança na postura da população? Reproduzo aqui, a entrevista concedida à Afrobrasnews por Ulisses Mormile é professor de Sociologia, Filosofia e Ética dos cursos de Administração e Pedagogia na Faculdade Zumbi dos Palmares

Afrobrasnews: O que fez com que a população tenha passado a se identificar como preta e parda?
Ulisses Mormile -
Acho que a eleição do Presidente Lula contribuiu significativamente para esse fenômeno. Através de todas as políticas sociais implantadas e do pensamento de que um metalúrgico do povo pôde chegar à presidência do país. Lula criou em nosso povo uma tendência de defesa de interesses, de auto-valorização da população no geral, através da abertura de oportunidades criadas por programas sociais, por exemplo. Outro fator importante é necessidade de inclusão social. Existia uma tendência ao “embranquecimento” do povo negro para a aceitação. Antigamente, quando um negro atingia certo patamar acabava deixando de lado sua cultura, religiosidade etc, para se enquadrar aos padrões sociais. Hoje, com essa abertura e criação de oportunidades, o negro se vê mais livre para manter viva sua cultura, sem ver portas se fecharem, defendendo seus valores e cultura.

Afrobrasnews: Qual o papel do acesso à informação nesse sentido?
Ulisses Mormile
- O acesso à informação também é uma questão crucial. Através da informação, recuperamos a cultura brasileira, nossos valores e nossos direitos. Conhecendo nossa história de injustiças contra negros, nordestinos e pobres, ganhamos novas armas de luta. Sabendo contra o que “lutar”, a “luta” se torna efetiva. A miscigenação brasileira, a idéia de país livre de preconceitos divide a população em grupos, enfraquece.

Afrobrasnews: O Brasil está se livrando do preconceito?
Ulisses Mormile
- O preconceito no Brasil é velado. A miscigenação da população faz com que o racismo se esconda, sendo assim não há contra o que lutar. Mesmo com a abertura social e a criação de oportunidades que antes só brancos tinham, ainda assim, negros encontram dificuldade de inclusão. Nas empresas, nas universidade de ponta ainda são minoria. Medidas como cotas raciais são necessárias para estancar o problema.

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