Indígenas disputam água de riacho na Aldeia Bororó

29/12/2011 17:53

Indígenas disputam água de riacho na Aldeia Bororó

Midiamax

Para matar a sede, muitos disputam a água de um pequeno riacho existente na Aldeia Bororó. Um exemplo é o da Caiuá Simoni Rolin, de 21 anos. Ela anda três quilômetros até chegar no riacho para pegar água e levar para casa na tentativa de matar a sede dos irmãos e dos pais. A água que ela enche os galões para dar o que beber para as crianças, é a mesma onde todas as famílias da aldeia tomam banho, lavam roupa e animais. O resultado disso não poderia ser outro. As doenças pelo consumo de água imprópria começam a aparecer. “Todos os meus irmãos estão com diarréia e vômito. Não sei mais o que fazer, porque se não busco esta água, nós morremos de sede”, lamenta.

A indígena Narcisa Gonçalves, de 28 anos, diz que o pequeno espaço de água no riacho já é motivo de briga. “As mães querem lavar a roupa dos filhos, tomar banho e levar a água para casa. O problema é que o espaço é pequeno, então chegamos aqui por volta das 6h da manhã para conseguir uma vaguinha. Até à noite a concentração de indígenas neste espaço é muito grande”, disse.

Narcisa também é agente de saúde da Reserva e segundo ela, nas visitas que faz, está constatando um número maior de crianças que perdem peso e estão com diarréia e vômito. “Já que não tem outro jeito de consumir outra água, estou insistindo para que as mães fervam a água antes de dar para os filhos. O problema é que nem sempre isto acontece. É muito difícil convencê-las a fazer este procedimento”, destaca.

O vice-líder indígena da Bororó, Aniceto Velasques, diz que a falta d’água já dura há vários meses, porém há um mês a situação ficou mais crítica. “A água chega nas torneiras a meia noite e termina pela madrugada. Nem dá tempo de abastecer os reservatórios de casa”, explica, lamentando que a esposa e filho estão doentes por causa do consumo de água inapropriada. O indígena Carlos Antônio Duarte, o “Piririta”, diz que está preocupado com os filhos. “Desde que começaram a tomar a água do lago estão com milhares de feridas vermelhas pelo corpo”, alerta.

De acordo com as lideranças indígenas, as duas obras de captação de água iniciadas no ano passado através do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) nas aldeias Jaguapurú e Bororó em Dourados estão paralisadas. O PROGRESSO apurou que há um ano os trabalhos foram suspensos por falta de pagamento, que deveria ser liberado pela presidência da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) em Brasília.

Em contato por telefone com o chefe do Distrito Sanitário Especial Indígena da Secretaria Especial de Saúde Indigena (Sesai) em Mato Grosso do Sul, Nelson Olazar, ele disse que desconhecia o problema. Ressaltou que estava de férias, mas que verificaria a situação.

 

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