Médico auxilia mais de 5 mil jovens e adolescentes no combate ao câncer

19/11/2012 10:56

 

Há 21 anos, Antonio Sergio Petrilli idealizou e lançou a pedra fundamental do Graacc (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer). Ao unir a universidade, a sociedade civil e a iniciativa privada, ampliou a chance de cura e melhorou a qualidade de vida de mais de 5 mil jovens pacientes com câncer no país.

Em 1974, quando começou a trabalhar como oncopediatra no Hospital A.C. Camargo, na capital paulista, , hoje com 66 anos, não conseguia digerir os parcos 20% de chance de cura em sua especialidade no Brasil. Era preciso melhorar tanto as possibilidades de tratamento quanto o cuidado dispensado às crianças, que muitas vezes ficavam hospitalizadas junto com pacientes adultos, sem a companhia da família. Atualmente, o hospital do Graacc (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer), entidade filantrópica que Petrilli fundou em 1991, registra percentual de cura de 70%. E os esforços para atender mais e melhor só fazem aumentar.

Essa realidade começou a mudar em 1978, após uma temporada nos Estados Unidos em que o brasileiro conheceu a dinâmica do hospital Memorial Sloan-Kettering, em Nova York. Na volta ao Brasil, tornou-se mestre em pediatria pela Unifesp (Universidade Federal Paulista) e continuou a vislumbrar um lugar onde as crianças não perdessem sua humanidade diante de um tratamento tão duro e invasivo.

Uma década depois, o médico defendeu doutorado também pela Unifesp e conheceu o hospital Saint Jude, em Memphis, maior referência mundial em câncer pediátrico, onde fez um curso de gestão e captação de recursos. Mais três anos de obstinação na causa e estava criado o Graacc, com sede em São Paulo (SP). A organização nasceu numa pequena casa ao lado da Unifesp, com a ajuda de colegas profissionais, de voluntários e de empresários, para dar seguimento ao tratamento oferecido no Hospital São Paulo, ligado à universidade.

Mas Petrilli sonhava alto e resolveu aumentar essa rede do bem, ao mesmo tempo em que chamou a iniciativa privada para administrar o Graacc. “Se eles entendem de gestão, nós, médicos, entendemos de tratamento. Era preciso fazer essa união”, afirma. Em apenas sete anos, o Grupo ganhou um hospital de 11 andares, com espaços para consultas, internações, quimioterapia, centro cirúrgico, laboratórios, entre outras instalações.

Como superintendente médico, diretor técnico, e diretor-presidente da instituição, o fundador se dedica, sobretudo, à pesquisa, tendo transformado o projeto, tímido no começo, em um hospital que faz mais de 50 transplantes de medula óssea por ano e lidera pesquisas para tratamento do osteossarcoma, o câncer ósseo, no Brasil. Assim, em 21 anos de atividades, o Graacc soma mais de 5.300 pacientes.

Tratamento gratuito

Atendendo 90% de pacientes pelo SUS (Sistema Único de Saúde), o centro conseguiu elevar a qualidade do tratamento gratuito oferecido para pacientes em condições desfavorecidas “no limite do conhecimento científico”, como ressalta o criador da instituição. “Uma coisa é a criança morrer porque não há mais nada que se possa fazer. Outra é morrer por falta de recursos”, diz. Só em 2012, recebeu 358 casos novos, com a política de “catraca livre”: são atendidos todos os que procuram tratamentos ou consultas.

Além disso, conta com projetos como a Brinquedoteca e a Quimioteca. Este último é um espaço para que, enquanto recebem medicamentos, os pacientes possam exercer atividades lúdicas. Paralelamente, há outra iniciativa para que deem continuidade aos estudos formais. Os parentes dos beneficiados também são atendidos em programas como a Oficina da Mãe, em que são ensinadas atividades de bordado, costura e artesanato para futura geração de renda. A Casa Ronald McDonald, parceria com a rede de fast-food, permite que o Graacc trate crianças de outros estados e municípios. Em 2011, o lugar recebeu pacientes de 19 estados.

O mais novo desafio de Petrilli é ampliar ainda mais a capacidade do Graacc. Os empresários que administram a instituição precisam arrecadar estimados R$ 150 milhões para financiar a construção de um novo hospital, em terreno doado pela prefeitura, previsto para ficar pronto em 2016. Incansável, o detentor de vários prêmios internacionais e distinções públicas é candidato ao Prêmio Empreendedor Social, promovido pela Fundação Schwab e a Folha de S.Paulo. O vencedor de 2012 será anunciado no dia 7 de novembro, em cerimônia no auditório do Masp (Museu de Arte de São Paulo), na capital paulista.

Site da organização: www.graacc.org.br

MAIS INFORMAÇÕES:

OPrêmio Empreendedor Social,realizado pelaFolhade S.Paulo e pela Fundação Schwab está na oitava edição no Brasil. Ele destaca líderes sociais que atuam há pelo menos três anos, de maneira inovadora, sustentável e com forte impacto na sociedade em áreas como ambiente, educação, infância e saúde. Podem concorrer líderes de cooperativas, empresas sociais, ONGs e Oscips, além de pessoas físicas que executem iniciativas pioneiras — como a criação de um produto ou serviço, ou a aplicação diferenciada de tecnologias já conhecidas.

Vencedores do Prêmio Empreendedor Social

2011: Gisela Solymos, Cren (Centro de Recuperação e Educação Nutricional) – São Paulo (SP)

2010: Roberto Kikawa, Projeto Cies (Centro de Integração de Educação e Saúde) – São Paulo (SP)

2009: Claudio e Suzana Padua, Ipê (Instituto de Pesquisas Ecológicas) – Nazaré Paulista (SP)

2008: André Albuquerque, Terra Nova - Curitiba (PR)

2007: Tião Rocha, CPCD (Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento) - Belo Horizonte (MG)

2006: Fábio Bibancos, Turma do Bem - São Paulo (SP)

2005: Eugenio Scannavino Netto, Projeto Saúde & Alegria - Santarém (PA)

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