Miguel Palacín: 'Eles estão perto de cair em seus próprios falsos processos de soluções'

22/06/2012 01:06

Miguel Palacín: 'Eles estão perto de cair em

seus próprios falsos processos de soluções'

 
A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, ainda não acabou, mas o sentimento geral é de decepção com as decisões tomadas sobre oceanos, água, geleiras, energia, desenvolvimento sustentável, entre outros temas.

Para Miguel Palacín Quispe, coordenador geral da Coordenadora Andina de Organizações Indígenas (Caoi), a saída agora é o fortalecimento dos movimentos sociais para intensificar a luta em favor de novas alternativas. Palacín conversou mais sobre estas e outras questões com Adital, confira.

 

Por que caminhamos para trás e não para frente nesses 20 anos após a Rio 92? A sociedade civil também teve parte nos retrocessos por não ter sido mais incisiva?

Miguel Palacín – Estamos com um pensamento muito arcaico,um modelo e uma civilização trazidas de mais de 500 anos, que não fez mais que acumular, depredar e danificar todas as estruturas que existem. E hoje nos damos conta - e não é só a direita ou a esquerda que contribuíram para isso, porque as duas são a mesma coisa -,que a sociedade civil promoveu um processo de transformação muito lento. As mudanças paradigmáticas não podem se dar no mesmo modelo que predomina hoje. É preciso haver um ponto de quebra e este ponto é deixar de lado este modelo capitalista por um alternativo. E o modelo alternativo se inclui neste momento social. Esta quebra precisa ser feita com políticas públicas. Estamos aqui agora rechaçando essa forma de tratar e querendo deixar uma mensagem de que eles estão perto de cair em seus próprios falsos processos de soluções e o que nos falta é aprofundar mais este tema, esta luta, e pressionar mais os governos.

 

Ainda é possível que saia alguma boa deliberação da Rio+20 ou só podemos esperar que empurrem para os próximos anos as decisões mais importantes?

Miguel Palacín – Impossível. Eles estão em negociações que não se relacionam com nossos sonhos. Seus posicionamentos já ficaram claros neste momento, que a intenção é aprovar um documento tal como eles querem com economia verde, legitimando suas falsas soluções com um modelo extrativista, e pronto, que cada um resolva seus problemas.

 

A situação de retrocessos intensificada pelas decisões tomadas na Rio+20 ainda podem ser revertidas por meio da ação popular?

Miguel Palacín – Sim. O que nós vamos ter que fazer agora é seguir fortalecendo nossos próprios processos. E, a partir daí, acredito que os movimentos sociais tenham que fazer um novo começo, porque nós mesmos é que temos que construir novas alternativas. Temos que fazer com que o movimento social seja mais forte e que as propostas sejam práticas e sobre temas como o Buen Viver, sobre nossas práticas políticas.

 

Do que já foi divulgado sobre o documento que está nas mãos dos chefes de Estado, o que pode ser apontado como mais grave?

Miguel Palacín – Uma atividade que dizem que pode contribuir à sustentabilidade é a mineração, mas a verdade é que ela está destruindo a natureza, nossas organizações, nossos estados, nossa vida e nossa economia. Está corrompendo, contaminando. Então como acreditam que a mineração pode contribuir para o desenvolvimento sustentável? Pode porque para eles a sustentabilidade é a econômica, a depredadora.

 

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