Transgênicos no México. Um crime contra o milho camponês e indígena

22/11/2012 00:35

Transgênicos no México. Um crime contra

o milho camponês e indígena

Um crime contra a Humanidade

Adital

Nos próximos dias, as transnacionais Monsanto, DuPont e Dow esperam uma resposta positiva do governo para semear 2,4 milhões de hectares de milho transgênico no México, uma superfície equivalente ao tamanho de El Salvador. A situação é extremamente alarmante, já que o México é o centro da diversidade do milho no mundo, onde existem milhares de variedades nos campos das comunidades camponesas e indígenas. O milho é, hoje em dia, um dos três principais alimentos em escala global, pelo que a contaminação dos milhos no México por transgênicos perigosos representa uma ameaça a todo o planeta.

Nas comunidades camponesas do México existem milhares de variedades locais de milhos, cada uma é resultado de diferentes climas, solos, ecossistemas e culturas. Desde o México, o milho percorreu o mundo, chegando a ser um dos alimentos mais importantes para muitos outros povos, sobretudo no sul da África, na Ásia e em toda a América Latina. No entanto, nas últimas décadas, o milho também tem sido objeto de muito interesse por parte da indústria e das transnacionais. Estas criaram variedades de milho híbrido, dependentes de agrotóxicos e de outros insumos que os camponeses têm que comprar. Também criaram transgênicos de milho que, hoje em dia (2011) cobrem uma superfície de 51 milhões de hectares em âmbito global.

"A situação é muito preocupante já que o governo do México favorece as transnacionais à custa do bem estar dos camponeses e de nossa saúde”, comentou Alberto Gómez, da Vía Campesina no México. "Há uns vinte anos, o governo no México coloca em perigo nossa soberania alimentar ao abrir a agricultura ao livre comércio, inundando-nos de milho barato de má qualidade e deixando milhares de camponeses na pobreza. Agora, buscam envenenar-nos com milho transgênico. Não permitiremos isso”.

Estudos publicados recentemente na França demonstram que o milho transgênico poderia causar graves danos à saúde. Esses riscos ainda não foram avaliados de forma apropriada. Nos estudos franceses, ratos expostos a comer esse milho têm altas incidências de câncer e sofrem danos em seus órgãos vitais. No México, buscam semear, entre outros, a mesma variedade de milho transgênico citada no estudo francês; uma variedade conhecida como "NK 603”.

Além disso, os transgênicos vão contra os direitos dos camponeses. "Todas as plantas transgênicas contaminam os cultivos camponeses através de genes patenteados pelas multinacionais e, dessa forma, impedem que os camponeses utilizem suas próprias sementes. É por isso que na Europa pressionamos para ter leis que hoje em dia proíbam os transgênicos em nossos campos e em nossos alimentos. Na Europa e em todo o mundo necessitamos apoiar o povo do México para resistir contra as transnacionais. Disso depende o bem estar de todos no mundo”, comentou Guy Kastler, da Vía Campesina na França.

As organizações da Vía Campesina em todo o mundo unem-se à sociedade civil e aos camponeses/as mexicanos que se opõem e exigem um rechaço às demandas da Monsanto. Alenta às organizações e à cidadania a realizar ações em seus países para demonstrar a grave irresponsabilidade do governo mexicano. "Necessitamos atuar em todas as partes e denunciar que a agressão ao milho mexicano é uma agressão contra toda a humanidade”, comenta Francisca Rodríguez, da Vía Campesina no Chile. "As sementes nativas são um tesouro dos povos camponeses e indígenas. São as únicas sementes que alimentam o mundo de forma saudável e sem a necessidade de agrotóxicos. São as únicas cuja diversidade as torna capazes de adaptar-se à mudança climática. Não podemos tolerar perder essas sementes de milho, ao serem contaminadas por transgênicos”.

A Vía Campesina convoca as suas organizações a desenvolver uma grande mobilização e estar alertas ante essa ofensiva, realizando ações em todos os países: denúncias nas sedes das transnacionais Monsanto, DuPont, Dow, dos governos que as apoiam; denúncias ante instâncias como a FAO e o Convênio de Biodiversidade (CBD) das Nações Unidas; pressão nas embaixadas do governo mexicano em todo o mundo; ações e manifestações; difusão de informação em todos os meios possíveis. Os povos do México e as comunidades camponesas resistem frente às transnacionais.

Rechacemos esse ataque contra a vida em todo o planeta!

NÃO AO MILHO TRANSGÊNICO! FORA MONSANTO!
GLOBALIZEMOS A LUTA, GLOBALIZEMOS A ESPERANÇA!
Favor contatar:
lvc-communication@viacampesina.org

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