Dilma: outro mundo é possível – no capitalismo

27/01/2012 16:20

Dilma: outro mundo é possível – no capitalismo

 

A presidenta Dilma Rousseff, em conversa com o Comitê Internacional do Fórum Social Mundial, que teve cerca de 90 participantes (foto: Roberto Stuckert Filho/PR).

Durante encontro fechado com representantes do Comitê Internacional do Fórum Social Mundial ontem à tarde (26), em Porto Alegre, a presidenta Dilma Rousseff afirmou que a Rio+20 deve tomar para si o lema de ‘um outro mundo é possível‘. “Mas não acredito que, dentro de um fórum governamental, essa alternativa possa ser anticapitalista: nenhum governo fará essa discussão”, acrescentou. “Proposta anticapitalista é papel de vocês, movimentos sociais.”

Mais à noite, no mesmo dia, durante discurso no ato público Diálogos entre Sociedade Civil e Governo, no ginásio Gigantinho, Dilma foi mais branda. Reafirmou que a Rio+20 deverá propor um outro modelo de desenvolvimento – mas não repetiu que a discussão de outro sistema econômico é impossível dentro dos governos.

“A Rio+20 deve ser um momento importante de um processo de renovação de ideias”, defendeu ela. E acrescentou depois que “o mundo do pós-neoliberalismo não pode ser pós-democracia”, em referência às medidas de cortes de gastos e de direitos em curso na Europa.

No encontro fechado, ao qual compareceram cerca de 90 pessoas, Dilma ouviu a fala e a demanda de seis representantes de movimentos sociais e ONGs. Em seguida, fez um discurso improvisado, bastante duro e crítico em relação aos governos anteriores a 2003, quando Lula foi eleito presidente pela primeira vez.

Entre as demandas e questões dos movimentos e organizações da sociedade civil brasileira e internacional, houve críticas à economia verde proposta pela Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (a Rio+20 oficial), ao novo código florestal, referências à reforma agrária estagnada, à economia solidária e à crise europeia.

 

Dilma tratou de muitas dessas questões em sua fala. No entanto, sequer mencionou Belo Monte e usinas nucleares, pontos nos quais o governo federal tem posição discordante de muitos dos que estavam ali presentes.

Em resposta ao alerta do sociólogo português Boaventura de Souza Santos, que sugeriu cuidado aos países emergentes em relação aos cortes de gastos na Europa, Dilma argumentou que os 10 anos anteriores ao governo Lula tornaram o povo brasileiro “vacinado contra o neoliberalismo”.

 

Código florestal não será o sonho dos ruralistas
Um dos pontos mais criticados pelos participantes da reunião fechada com a presidenta foi o novo código florestal, em tramitação na Câmara dos Deputados há quase 12 anos.

Segundo Dilma, ainda é preciso resolver os conflitos envolvidos na reformulação do código, mas que a solução consensual a ser encaminhada “não será o código florestal dos sonhos dos ruralistas”.

Os aplausos entusiasmados para esse comentário da presidenta quase encobriram a frase dita em seguida: “não será um código florestal perfeito do ponto de vista ambiental, no entanto”.

 

MP 557 será redigida
Dilma também admitiu que a redação da medida provisória nº 557, de 2011 – que prevê um cadastro universal das gestantes e puérperas – está incorreta e que o governo irá redigi-la.

A MP 557 é fortemente criticada pelos movimentos feministas por ferir a autonomia das mulheres ao conferir personalidade civil ao nascituro. Tratar o nascituro como cidadão independente seria inconstitucional, uma vez que a Constituição brasileira protege o direito à vida a partir do nascimento, e não da concepção. “Quem fez essa MP não tinha intenção de ferir os direitos das mulheres”, explicou Dilma.

 

“Pinheirinho é barbárie”
Ao falar do desalojamento de 1.600 famílias do Pinheirinho, terreno da cidade de São José dos Campos (SP) ocupado desde 2004 e pertencente à massa falida de uma empresa do especulador Naji Nahas, Dilma não poupou palavras: “Concordo: aquilo não é ação policial, é barbárie“.

A presidenta contou que o governo federal foi surpreendido com a ação da polícia e do estado de São Paulo na situação. Segundo ela, antes da desapropriação, representantes do governo federal haviam conversado com lideranças políticas do governo paulista e todos disseram que tudo aconteceria tranquilamente, sem ação de despejo.

“O nosso método [do governo federal] nunca foi e nunca será o que aconteceu em Pinheirinho. É contra tudo o que acreditamos na vida. Mas esse país é uma federação e o governo federal não tem poderes ilimitados para interferir no estado, no município, no judiciário ou no legislativo”, afirmou.

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