Índigena quer ser presidente da Funai

06/11/2012 00:39

Índigena quer ser presidente da Funai

Blog Poder Online

 

Numa iniciativa inédita dos movimentos indígenas, o cacique mundurukú Natanael Rodrigues Parente, da aldeia de Manicoré, no Amazonas, entrou no jogo político e já conseguiu as assinaturas de 54 deputados e 31 senadores para pleitear a chefia da Fundação Nacional do Índio (Funai). Autarquia do Ministério da Justiça, a Funai já teve 33 presidentes, todos eles – como Romero Jucá (PMDB-RR), ex-líder do governo no Senado – apadrinhados por políticos. O documento foi entregue no Planalto pelo senador Eduardo Lopes (PRB-RJ), mas a indicação é suprapartidária.

O índio diz que em vez de indenizar fazendeiros, o governo está removendo comunidades indígenas e afirma que os Guarani-Kaiowá não deixarão as terras em que estão acampados no Mato Grosso do Sul. “Índio não teme a morte. Prefere a honra de morrer em suas terras”, alerta.

Natanel sustenta que Lula e Dilma foram enganados pelas ONGs que, segundo ele, há dez anos entraram na prestação de serviços às aldeias por causa do dinheiro federal. A indicação de uma mulher para a Funai (Marta Azevedo), observa o mundurukú, foi um desastre: “Índio não aceita mulher no comando”.

- Por que os índios estão em pé de guerra com o governo?
Natanael Rodrigues Parente - A gestão das questões indígenas piorou desde o início do governo Lula. O governo passou a ter relação com as comunidades através das ONGs que enfraqueceram as lideranças indígenas porque só tinham interesse no dinheiro do governo. A Funai “terceirizou” o atendimento às ONGs. Algumas se tornaram inadimplentes e estão tendo de explicar o destino do dinheiro no Tribunal de Contas da União. Os serviços de saúde nas aldeias são muito ruins. O Lula foi enganado pelas ONGs e virou o pior presidente da história para os índios. A Dilma também está sendo enganada.

 

O que isso tem a ver com a onda de suicídios entre os Guarani-Kaiowá?
Natanael Rodrigues Parente -  O governo deixou de indenizar fazendeiros que estão em terras indígenas e isso gerou o conflito. Os índios é que estão sendo removidos de suas terras. Os fazendeiros também têm seus direitos. Foram levados para lá pelo governo do presidente Getúlio Vargas, mas as terras são dos Guarani-Kaiowá. Os parentes (170 integrantes da comunidade Pyelito Kue, acampados na Fazenda Cambará, às margens do Rio Hovy, no município de Iguatemi) não sairão. Índio não tem medo da morte. Prefere morrer com a honra de ser enterrado em seu território. É que nem pica-pau: você pode até derrubar a árvore, mas ele não deixa o ninho. No Brasil aconteceram tantos massacres porque o índio não fugiu de suas terras. Prefere o descanso eterno.
 

E o que diz a Funai?
Natanael Rodrigues Parente - A Funai está assistindo “de camarote” os conflitos e não briga mais pelos direitos e soberania dos índios. Deixou tudo nas mãos de ONGs nacionais e internacionais.


Qual o sentido dessa articulação no Congresso?
Natanael Rodrigues Parente - Estamos buscando apoio político para colocar um índio como chefe da Funai. É a primeira vez que o movimento indígena faz esse movimento. Já temos o apoio de 54 deputados e 31 senadores. As bancadas de cada estado assinaram manifesto. Os documentos estão com a presidente Dilma. Durante a história da Funai por lá passaram 33 presidentes, mas nenhum era índio. Por isso o governo nunca entendeu direito o que índio pensa e quer. A Funai foi dirigida até aqui por quem desconhece a realidade indígena e não tem legitimidade.


Entre os candidatos quem tem mais respaldo nas comunidades?
Natanael Rodrigues Parente - É difícil falar isso (rindo). Mas sou eu. Tenho o apoio da maioria dos parentes. Agora consegui o apoio do Congresso, que nunca alguém havia buscado . Um ministro do Supremo não precisa da aprovação do Senado? Por eu já tenho mais de um terço dos senadores me apoiando. Não tem lógica o PT e a Dilma não aceitarem.

 

A atual presidente da Funai (Marta Azevedo) não atende o que reivindicam as comunidades?
Natanael Rodrigues Parente - Mais 90% dos índios não a aceitam porque é mulher. A Dilma quis criar um fato histórico colocando a primeira mulher na presidência da Funai e arranjou um problema. Não é por machismo. O índio não aceita uma mulher no comando. Fere a integridade moral do índio. É uma questão de cultura e de respeito e não de preconceito.

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