Sustentabilidade: diferencial para o negócio do futuro

30/08/2012 15:44

Sustentabilidade: diferencial para o negócio do futuro

 

Foto: Repense

Sustentabilidade não é sinônimo de Ecologia e deve ser considerada como um dos pilares para os negócios do futuro, atuando como diferencial para empreendimentos que a tiverem como um de seus princípios.

Quem esclarece conceitos e explica de que forma os princípios sustentáveis devem estar inseridos nas novas organizações é Erich Burger, fundador do Recicleiros e colaborador do Instituto Ethos:

M - O conceito de sustentabilidade é entendido corretamente pela maior parte da população?

EB - Sustentabilidade ainda é um conceito novo e desafiador para a maior parte da população. Ainda muito confundido com ecologia puramente. O que precisamos difundir é a forma como se chega à sustentabilidade: seja para um projeto, uma empresa ou uma cidade, é necessário desenvolver uma plataforma muito bem sedimentada, que dê base para a evolução de ações e propostas que tenham cunho de ecoeficiência, que quer dizer produzir utilizando recursos de forma extremamente eficiente do ponto de vista ecológico. A sustentabilidade é o resultado de uma série de ações, que vão desde educação, projetos arquitetônicos, serviços e produtos com baixo impacto ambiental, até o desenvolvimento de combustíveis e a gestão do lixo, por exemplo

M - O Recicleiros começou em 2007. Qual a sua percepção da consciência coletiva a respeito dos negócios sustentáveis nos últimos anos?

EB - Começamos em um momento em que a percepção das pessoas e empresas sobre negócios sustentáveis ainda era muito pouco desenvolvida. O trabalho de difusão de conceitos e conteúdos através da imprensa, redes, seminários e outras mídias vem colaborando para o desenvolvimento dessa consciência. Novas legislações específicas, políticas públicas e normas alavancam a criação de negócios na área de sustentabilidade, conforme cresce a demanda por produtos e serviços com este apelo. O que temos visto é uma crescente demanda, ainda com baixa oferta de serviços inovadores.

M - A Gestão Sustentável vai além da questão da imagem corporativa...

EB - Gestão sustentável é um princípio que pode ser interpretado de diversas maneiras. Quando aplicamos o conceito a empresas, estamos falando de uma maneira de gerir negócios com vistas ao impacto ambiental e social causado por suas atividades. Uma empresa que busca uma gestão sustentável de seus negócios, deve considerar indicadores sociais e ambientais como mecanismos de orientação da tomada de decisão. As empresas que atuam desta maneira estão mais aptas a oferecer produtos e serviços que são almejados pelo novo consumidor, aquele que usa critérios mais diversos para realizar suas escolhas no momento da compra. Empresas assim são muitas vezes vistas com melhores olhos pelo mercado e representam menor risco para operações de empresas clientes ou parceiras, estabelecendo um novo patamar de competitividade.

M - Quais os principais aspectos da Política Nacional de Resíduos Sólidos?

EB - A PNRS sólidos institui novas maneiras de se encarar a questão de geração e disposição final de resíduos. Entre os principais destaques estão a proibição da criação e operação de lixões e sua extinção, que é muito positivo para a sociedade e o meio ambiente. Outro ponto é a instituição da responsabilidade compartilhada sobre a destinação adequada de resíduos, estabelecendo responsabilidades para toda cadeia de valor do que chamávamos de lixo, desde o fabricante, distribuidor, revendedor, consumidor e prefeituras. Essa cadeia, neste novo cenário, deve se articular para cumprir as premissas de não geração de resíduos, redução, reaproveitamento, reciclagem, tratamento e disposição final, nesta ordem.

M - O que é logística reversa?

EB - Logística reversa é uma modalidade de gestão de resíduos imposta pela nova Política Nacional de Resíduos Sólidos. Consiste no ato de viabilizar o retorno de produtos e embalagens pós consumo, ou seja, gerados pelo consumo ou utilização de produtos pelos consumidores, aos canais de reaproveitamento, reciclagem ou destinação final. As empresas que produzem e vendem um determinado produto, como por exemplo uma geladeira, terão que estruturar um canal acessível ao consumidor para que, no momento da substituição deste produto, seja possível encaminhá-la para reciclagem de maneira prática e funcional.

M - Qual o gasto (ou o lucro) de uma empresa com Gestão Ambiental a curto e longo prazo?

EB - Vários aspectos colocados pelas leis e normas atuais, voltados para a gestão sustentável dos negócios, constituem uma variável nova, muitas vezes inédita no processo das empresas e governos. Toda novidade que altera processos preexistentes tendem a representar novos custos e desafios, isso é natural. As empresas que saírem na frente, encarando estes desafios como forma de inovar e lançar mão de novas tecnologias, produtos e serviços, terão um diferencial competitivo de muito valor nas mãos.

M - Há projeção sobre como serão os negócios para o futuro, considerando a Sustentabilidade como um dos pilares das organizações?

EB - A idéia é que a força natural do mercado, orientado por novas políticas e exigências do consumidor consciente, impulsione cada vez mais o surgimento de soluções sustentáveis para as necessidade de desenvolvimento, segurança, conforto, entre outras áreas, possibilitando o avanço necessário para o desenvolvimento das nações de forma mais sustentável. Para isso, precisamos exercer nosso poder de cidadãos em busca de uma sociedade mais justa e de leis que bebeficiem as práticas sustentáveis e estimulem o avanço na área de pesquisas e desenvolvimento tecnológico.

 

*Erich Burger é coordenador da Jornada Negócios Sustentáveis, que acontece em setembro no Cemec.

 

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